terça-feira, 25 de junho de 2013

Preparando o sandwich



Entrar no doutorado da UFPB, por incrível que pareça para mim foi mais difícil psicologicamente que de fato intelectualmente. Os fatores: estar há 3 anos sem estudar e sem produzir na pesquisa, e, é claro de ter que abraçar todas as consequências por escolher uma vida de estudo e pesquisas abrindo mão de família e amigos, e até certo ponto de vida social, em minha cabeça eram trucidantes. Não fui bem classificada no processo seletivo, por isso fiquei sem bolsa um bom tempo, mas nada disso tirava da minha cabeça a ideia do sandwich.


Acredito que o fato de eu ter falado ‘isso’ a meu orientador antes de saber até “o que eu seria no jogo do bicho” me rendeu alguns pontos. Digo isso porque na pós-graduação tudo deve ser bem amarradinho, área, sub-área, objeto de estudo, local, animal, ... Nesse processo, ‘ganhei de presente’ a aprovação de um projeto (Deus sempre presente em tudo) e pra melhorar uma maravilhosa equipe de estudos (Embrapa Taninos). Embora eu já quisesse o sandwich, fosse em que sub-área fosse. 


Existem duas maneiras de tentar o financiamento do Doutorado Sandwich: pela Capes e pelo CNPq (Ciências Sem Fronteiras). Com algumas pequenas diferenças ambas as instituições financiam sua ida e estadia ao país de estudos, e o primeiro requisito, além de estar devidamente matriculado no curso de Doutorado em uma Instituição de Ensino Superior, é cumprir todos os créditos do curso, ou seja, cursar em tempo hábil à viajem todas as disciplinas que o aluno tiver que cursar no Doutorado.


No meu caso, que consegui recuperar do mestrado créditos de algumas disciplinas cursadas. Daí tive que cursar no ano de 2012, quatro disciplinas no primeiro semestre e quatro no segundo. Bem, você deve estar pensando,_ há cursar quatro disciplinas por vez é moleza!. _ Não cara pálida, isso no doutorado é quase suicídio.

 Especialmente depois de três anos parada, ainda achando pouco resolvi voltar ao inglês aos sábados só para relembrar!!
É..., meus amigos e familiares que sabem o quanto andei sumida, sumida mesmo! “comendo” livros de domingo a domingo, as Amigas de Doutorado que o digam, não é Cida, Paulinha, Dinara, Alex e as meninas da agronomia e tantos outros, reunidos para ‘dar conta’ da bendita Estatística. 




Mas, como nem só de estudos vive o homem!!! Fomos a umas festinhas pra recarregar as baterias.
E além das disciplinas teve o início do meu experimento, na foto confecção de um silo cincho, para dar de comer as vaquinhas, e a equipe da "Embrapa Taninos" que na foto não está completa mas agradeço a eles sempre pela força! Mas a seca não permitiu que o experimento acontecesse e ficou para o ano que vem!

Mas, 2012 ainda tinha mais um desafio, encontrar um orientador estrangeiro disposto a abraçar meu projeto e de ‘quebra’ me orientar. Mas isso é assunto para um outro post.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

O início de tudo, rumo ao doutorado sandwich na Austrália

Sempre achei legal estudar línguas, achava fascinante ver as pessoas conversando com estrangeiros desenroladamente!! Mas para mim na época era algo distante, até que passei no vestibular da UFRPE pra Zootecnia, conheci os cursos do SENAC e a coisa desenrolou.

Naquela época eu me imaginava longe, mas na realidade eu não tinha noção do que estava por vir.
Apesar de querer ter fluência em outra língua (inglês) e querer estudar fora do Brasil, desde aquela época não me interessavam esses intercâmbios em que eu tinha que trancar a faculdade para poder viajar, e trabalhar lá fora em 'serviços gerais', nada contra quem o faça, acho louvável inclusive pra quem tem coragem, mas na realidade eu achava perda de tempo, eu fazia as contas dos anos em minha cabeça e me achava "velha" para 'perder'  tempo desse jeito.
Em 2004 um ano antes de minha provável formatura em Zootecnia (que aprendi a amar) na UFRPE apareceu a oportunidade de um estágio de 6 meses pela faculdade em Davis na Califórnia, achei o máximo, caramba tudo o que eu mais desejava, o intercambio e em minha área pela faculdade, perfeito, mas para esta apta a viajem tinha o bendito TOEFL. Então, fui lá, me inscrevi, estudei e.... não consegui a pontuação que o programa exigia.

Desde essa data fiquei com isso em minha cabeça, quem sabe um dia ainda consigo fazer isso. Estudar o curso que escolhi em outro país.

Terminei a facul, passei um ano em Senhor do Bonfim na Bahia como professora temporária do IFET de lá (pequenos animais), fiz amigos incríveis, aprendi e vivi.

Saí da Bahia rumo ao Mestrado na UNESP de Botucatu-SP, lugar onde descobri a minha força pessoal e a força da escalada, minha outra paixão que me integrou ao estado e me mostrou pessoas incríveis. O um ano e meio em Botucatu não me tornaram apenas Mestre em Zootecnia, mas uma pessoa mais forte, humilde e com muitos amigos na bagagem.

Do mestrado fui trabalhar em uma fabrica de ração no Agreste de Pernambuco, onde fiquei quase dois anos, trabalho pesado que me ensinou muito da vida. De lá trabalhei no controle de qualidade de  uma empresa de alimentos e depois gerenciei a Qualidade de uma fábrica de Implantes Ortopédicos, sim, Implantes ortopédicos!!! A essa altura, Eu e meu dilema pessoal, angustiada em ganhar dinheiro e viver a vida me fizeram esquecer do sonho de Estudar a Profissão que Escolhi em outro país, aos olhos de outra cultura e linguagem.

Depois de muita luta contra mim mesma e contra o universo, eis que surge um anjo em minha vida e me faz voltar a ter a vontade de estudar, Ele planta em mim a vontade de fazer Doutorado, e a velha vontade de estudar fora com um Doutorado Sandwich ressurge.
Assim passo na UFPB Areia e o sonho torna-se mais próximo.